Ei, você aí: cuidado com o Aedes no carnaval

Calor, pele exposta, muitas pessoas juntas: cenário perfeito para a festa - e para a multiplicação do Aedes aegypti selvagem (Foto: Shutterstock)
Calor, pele exposta, muitas pessoas juntas: cenário perfeito para a festa - e para a multiplicação do Aedes aegypti selvagem (Foto: Shutterstock)
Época dos festejos costuma coincidir com aumento nos casos de dengue; lixo deixado por blocos pode gerar criadouros do mosquito

Durante o carnaval do Rio de Janeiro desse ano, a população de Aedes aegypti da cidade será de três a quatro vezes maior que a população humana. A estimativa é do epidemiologista Eduardo Massad, uma das maiores autoridades mundiais no assunto. “Mas quem é que fala disso no carnaval? Só se fala em camisinha e Aids”, diz o professor da USP.

Massad também calculou a probabilidade de um folião ser picado por um Aedes aegypti – não necessariamente um exemplar infectado – nessa época do ano: 99,9%.

Nos Jogos Olímpicos do Rio a estimativa era de apenas 3,5%. A diferença está no clima de cada época. No carnaval – que normalmente acontece entre fevereiro e março – faz calor, o tempo é úmido e os mosquitos são abundantes. Já em agosto, mês em que os Jogos Olímpicos acontecem, o clima inverte e a população desses mosquitos cai consideravelmente. E o brasileiro já sabe o que acontece quando a Aedes se espalha – a dengue, a Zika e a chikungunya também aumentam. “O pico dessas três doenças em 2017 deve ser novamente perto do carnaval”, afirma Massad.

No gráfico abaixo é possível constatar na prática a preocupação do epidemiologista. O carnaval costuma coincidir com a guinada na curva epidêmica da dengue.

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Festa com precaução

A primeira recomendação para quem vai curtir a folia na rua, claro, é o uso de repelente para diminuir a probabilidade de levar picadas de mosquitos. Mas é importante contribuir com a precaução também para o bem coletivo.

As famílias que viajam e deixam a casa vazia durante o feriado devem fazer uma faxina geral antes de pegar a estrada – a ideia é não fechar a casa com nenhum potencial criadouro dentro, seja na parte interna, no jardim ou no quintal.

Quem vai curtir os blocos de rua também tem como ajudar na prevenção: as latas e garrafas devem ser descartados nas lixeiras – só dessa maneira os resíduos serão coletados adequadamente, impedindo o acúmulo de água e a eclosão de ovos do Aedes aegypti selvagem.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que estrangeiros vindo festejar o carnaval em áreas de risco tomem a vacina contra a febre amarela dez dias antes de embarcar para o Brasil. A entidade lembra que os grandes centros urbanos ainda não notificaram casos da doença, mas ressalta que os “turistas que vierem para o carnaval podem visitar locais fora das principais cidades”.

Os estados mencionados pelo comunicado da OMS são Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro – veja aqui os municípios incluídos nas áreas de risco de cada região. Além da vacina, a organização pede que os viajantes adotem medidas de proteção contra a picada de mosquitos, fiquem alertas aos sintomas da febre amarela e procurem assistência caso eles se manifestem.

Além de apontar para essas regiões, a entidade já recomendava a vacina para os seguintes estados: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Maranhão, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.