A beleza do instinto materno

Thais e sua mãe, Madleine: proteção garantida (Foto: Alexandre Carvalho/Divulgação)
Grávida, Thais prefere passar o dia perto dos Aedes do Bem! para ter certeza que a Zika não vai interferir no futuro do seu filho. Confira o seu depoimento

A gravidez é um momento de transformação, recheado de alegria e dúvidas. Para muitas gestantes brasileiras, porém, esse segundo componente teve um peso exagerado. A ansiedade começou a tomar conta do imaginário que envolve a maternidade em outubro de 2015, quando o país levantou as primeiras suspeitas da relação entre a microcefalia e o Zika, hoje já confirmadas. Em menos de um ano, 1.434 casos de microcefalia foram registrados no Brasil. Foi durante essa época atribulada que Thaís Teixeira, de 28 anos, soube que estava grávida.

Thaís mora em Piracicaba, no interior de São Paulo, junto com seu marido, Thiago. O casal vive em Terra Rica, bairro afastado do centro do município, mas próximo ao CECAP/Eldorado – primeira região da cidade a receber liberações do Aedes do Bem!, o mosquito geneticamente modificado para combater o Aedes aegypti, transmissor da dengue, Zika e chikungunya.

Sua mãe, Madleine Teixeira, é agente comunitária de saúde no CECAP/Eldorado e teve uma ideia para proteger a filha e o neto assim que recebeu a notícia de que seria avó: Thaís passaria o dia no CECAP/Eldorado. A confirmação da gravidez da filha ocorreu quando o Aedes do Bem! já estava sendo solto no bairro e, desde que ele começou a ser usado ali, houve uma redução de 82% na população de larvas do mosquito transmissor da Zika, dengue e chikungunya. Thaís aceitou prontamente a sugestão e a incorporou à rotina da família. Tudo para que o pequeno Théo chegue a esse mundo com saúde.

Confira o depoimento de Thaís ao portal Aedes do Bem!:

“Eu fiquei sabendo que estava esperando um filho quando estava com dois meses de gravidez. Nessa época já estavam soltando o Aedes do Bem! no CECAP/Eldorado. Minha mãe falou então pra eu ficar aqui no bairro o máximo que eu conseguisse. Quando ela falou isso, aceitei na hora. É melhor pra mim. Meu marido falou que o que eu decidisse estava bom. A gente está pensando no nosso filho.

Thais e a gaiola com os Aedes do Bem!, seus aliados durante a gravidez (Foto: Alexandre Carvalho/Divulgação)
Thais e a gaiola com os Aedes do Bem!, seus aliados durante a gravidez (Foto: Alexandre Carvalho/Divulgação)

O que me levou a acatar a sugestão da minha mãe foi o medo. Muito medo. Lá em Terra Rica tem muito mosquito, então eu vivia passando repelente. Era um vidrinho de repelente por semana. Eu não estava aguentando mais de tanta dor de cabeça. Já estava passando mal. Lá, no calor, eu ficava coberta, de meia, de blusa de frio e com o ventilador ligado. Eu ficava com a latinha do veneno o tempo todo do meu lado, outro na tomada. Essa rotina durou até o quarto mês de gestação – a minha casa estava sendo reformada, então eu tinha que estar ali com os pedreiros.

Quando eu acordo e ainda estou na minha casa, passo repelente e deixo veneno na tomada. Se eu for deitar, me cubro. Mas todos os dias minha mãe sai para almoçar meio dia, me pega e eu fico aqui no CECAP/Eldorado. Fico a tarde toda e vou embora umas cinco e meia. Quando eu estou na casa da minha mãe ou da minha avó é supertranquilo.

Me sinto muito mais segura no CECAP/Eldorado. Muito mais. Aqui é tranquilo, não me preocupo nenhum pouco. Eu relaxo bem mais. No começo eu tinha medo dos mosquitos, mas, depois que começaram a soltar, diminuiu muito a quantidade de pessoas com dengue. Aí eu pensei: ‘é aqui mesmo que eu vou ficar’, porque resolveu bastante. Eu falei ainda pra minha mãe ‘será que você não consegue um pouquinho desses mosquitos pra eu soltar na minha casa?’. Eu ficaria mais tranquila. Eu achei bem interessante, gostei bastante.”