Correlação entre o vírus Zika e ocorrências de microcefalia completa um ano

Imagem de microscópio eletrônico mostra vírus Zika (pontos alaranjados) isolados de paciente com microcefalia em Fortaleza -CE (Foto: NIAID/NIH)
Casos ligados ao vírus já existem em 20 países - número de casos em território brasileiro impressiona

Um ano depois da descoberta de que o vírus Zika era o culpado por trás do aumento no nascimento de bebês com microcefalia no Brasil em 2015, outros 19 países já registram essa associação.

“Com base em um conjunto de pesquisas preliminares cada vez maior, existe consenso científico de que o vírus Zika é uma causa de microcefalia”, afirma a OMS (Organização Mundial da Saúde), na nova versão do documento com diretrizes para combate à Zika, atualizado em 6 de setembro.

Não existe uma data precisa para a descoberta, que foi uma constatação gradual feita por um grupo de pesquisadores no Nordeste do Brasil. As primeiras suspeitas de ligação entre Zika e microcefalia foram discutidas por médicos como Adriana Melo, de Campina Grande (PB), Vanessa Van Der Linden, do Recife (PE), e Kleber Luz, de Natal (RN) em setembro de 2015. A partir de pacientes avaliados por eles, a correlação foi se estabelecendo aos poucos.

oxitec_hub_tabela-zika

A descoberta dessa ligação, porém, foi apenas o passo inicial nas pesquisas sobre os danos do Zika no neurodesenvolvimento. Apesar de pesquisas posteriores já terem apontado mecanismos biológicos pelos quais o vírus atua, ainda não está claro por que o vírus e a microcefalia parecem ter uma correlação mais forte dentro do território brasileiro.

Incidência desproporcional

Enquanto no Brasil foram registrados até agora 1.845 casos de bebês nessa condição, a Colômbia, o segundo país mais afetado, registrou 34. Considerando os tamanhos das populações dos países, isso significa que a incidência do problema no Brasil é 12 vezes a da Colômbia.

Entre os fatores suspeitos para explicar a diferença estão diferenças genéticas da linhagem do vírus que circula no Brasil, a interação com outros patógenos, subnotificação e até problemas de nutrição. Não existe ainda, porém, um panorama claro para explicar a razão.

A OMS não descarta, de qualquer forma, a possibilidade de a incidência daquilo que chama agora de “síndrome do Zika congênito” aparecer com uma incidência maior em outros países.

Desde que a atual pandemia de Zika teve início, a partir de maio de 2015, 69 países já registraram ocorrências da doença, ainda que a maior parte deles não tenha relatado casos associados de microcefalia, por enquanto.