Epidemia de chikungunya cresce 20 vezes

Médico examina paciente de chikungunya com articulações inflamadas (Foto: Luz Sosa - OPAS/OMS)
Com 169.656 casos até julho de 2016, Brasil concentra 45% do problema nas Américas - no ranking por incidência, país fica em 6º

O número de casos de chikungunya no Brasil em 2016 já equivale a quase 20 vezes aqueles registrados no ano passado até a mesma época do ano. Dados novos da OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde) consolidados até a 27ª semana do ano (encerrada em 9 de julho) indicam o registro de 169.656 casos relatados da doença, contra 8.747  no ano passado até a 28ª semana.

A chikungunya é uma das quatro doenças pandêmicas transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, ao lado de Zika, dengue e febre amarela. Apesar de o inseto estar disseminado pela região tropical de todas as Américas, a dinâmica das três doenças não tem evolução paralela, sendo que a chikungunya apresentou crescimento mais acentuado.

Caracterizada por febre alta acompanhada de fortes dores nas articulações, a doença também está associada a uma maior incidência de problemas autoimunes como artrite e artrose. Os sintomas aparecem de dois a doze dias depois da picada de um mosquito infectado.

Continentes e ilhas

Segundo da OPAS, o Brasil abriga cerca de 45% de todos os casos de chikungunya das Américas, apesar de dados ainda precisarem ser uniformizados. Alguns países endêmicos para a doença só atualizaram notificações até a 23ª semana do ano, mas já está claro que em algumas nações com populações menores o problema é grave também.

Em 2016, o Brasil tem a sexta maior incidência da doença registrada pela OPAS em países continentais, com 83,3 casos por 100 mil habitantes.

Tabela---KV-Aedes-do-Bem

Os quatro países onde a situação está proporcionalmente pior são Guiana Francesa (315,3 casos/100 mil hab.), Bolívia (182,9), Honduras (160, 6), El Salvador (85) e Nicarágua (83,3). As piores incidências da região são em países-ilhas do Caribe: Aruba (617), Dominica (366) e São Vicente e Granadinas (152).

Um mapa interativo da OPAS detalha a epidemia por país e por estado.

No Brasil, o Ministério da Saúde informa que todos os estados já têm casos notificados da doença, e a Região Nordeste é a mais afetada. A Bahia lidera a lista, com 42.511 casos prováveis, seguida de Pernambuco (31.397), Ceará (22.679) e Rio Grande do Norte (19.194). Na Região Sudeste, o Rio de Janeiro é o estado mais impactado, com 4.954 casos. Até meados de julho, haviam sido registradas 38 mortes atribuídas à chikungunya no Brasil.

Para calcular índices nacionais de incidência, a OPAS soma casos suspeitos e confirmados de chikungunya e divide pela população de cada país. São considerados casos suspeitos pacientes em países endêmicos ou epidêmicos com febre súbita acima de 38°C e dores articulares não explicadas por outros problemas médicos.

Em 2016, de todos 169.656 casos de chikungunya relatados no Brasil, cerca de 63 mil (37%) foram confirmados por exames laboratoriais, informa a OPAS. Os restantes são casos suspeitos.