Plano para combater Aedes aegypti precisa considerar impacto econômico das doenças, diz Thomas Bostick

“Se essa conferência é para falar de investimentos, temos que pensar nas implicações de não investir”, afirma Bostick   (Foto: Reprodução)
“Se essa conferência é para falar de investimentos, temos que pensar nas implicações de não investir”, afirma Bostick (Foto: Reprodução)
Vice-presidente da Intrexon veio ao Brasil para roda de debates sobre investimentos em biotecnologia para a saúde

O planejamento do combate ao Aedes aegypti no mundo precisa levar em conta tanto o sofrimento humano quanto o impacto econômico das doenças transmitidas por esse inseto. Essa é a visão defendida por Thomas Bostick, vice-presidente sênior da Intrexon, empresa que controla a Oxitec e produz o Aedes do Bem™!.

Em pronunciamento no Fórum Brasil de Investimentos, realizado em São Paulo no final de maio, Bostick mostrou a uma plateia de gestores públicos e empresários os resultados obtidos pelo mosquito geneticamente modificado que combate o transmissor de Zika, dengue e chikungunya. O Aedes do Bem™! tem sido capaz de reduzir a população desta praga em mais de 80% nos projetos em que tem sido usado — como em Piracicaba (SP), no interior de São Paulo – podendo chegar a 99%, caso do bairro de Mandacaru em Juazeiro (BA).

No fórum, em uma mesa redonda que debateu biotecnologia na área de saúde, Bostick falou sobre o trabalho intenso de inovação necessário para implementar essa tecnologia no Brasil.

Investimos quase R$ 75 milhões de reais no Brasil em três anos”, contou. “Somos uma empresa de capital aberto, e ainda não estamos ganhando dinheiro, mas vemos isso com um investimento que vai fazer a diferença no futuro, não apenas para nossa empresa, mas também para o Brasil.”

Assista abaixo ao pronunciamento de Tom Bostick durante o Fórum de Investimentos Brasil 2017:

Para Bostick, os resultados do projeto do Aedes do Bem™! em Piracicaba podem ser o prenúncio de algo maior. “Sinto que temos uma tecnologia que vai se destacar agora, não apenas no Brasil, mas ao redor do mundo”, afirmou.

O vice-presidente sênior da Intrexon diz crer que o potencial dos insetos geneticamente modificados vai se traduzir em realidade quando os números de investimento começarem a ser comparados ao tamanho do desafio que essa biotecnologia busca solucionar.

Prevenir é mais barato que remediar

“Se essa conferência é para falar de investimentos, temos que pensar nas implicações de não investir”, disse. “Às vezes ouvimos comentários sobre o custo da nossa tecnologia. Na minha opinião, devemos olhar para o custo que implica a não utilização dessa tecnologia. A ONU estima que, entre 2015 e 2017, o custo da Zika para a América Latina pode chegar a US$ 18 bilhões.”

Se, diante de um único vírus as cifras do impacto econômico já chega à casa das dezenas de bilhões de dólares, de quanto seria o impacto somado de todos os vírus transmitidos pelo Aedes aegypti? Além da Zika, esse mosquito transmite a dengue, que impõe perdas de até US$ 1,2 bihão por ano no Brasil, e a chikungunya, um patógeno emergente provocando perdas econômicas globais ainda não estimadas.

“Quando analisamos investimentos feitos para combater esse vetor de doenças, o Aedes aegypti, é preciso levar em conta impactos diretos e indiretos que Zika, dengue, chikungunya e febre amarela impõem à economia do país como um todo”, diz o executivo da Intrexon. “É por isso que, na luta contra esse mosquito transmissor de doenças, os resultados mais eficientes surgem quando autoridades, setor privado e comunidades lutam juntos contra o problema.”

Vice-presidente da Intrexon desde 2015, Bostick é mais conhecido nos Estados Unidos como general. Ele se juntou à empresa após 38 anos de serviço militar – recentemente se aposentou como o 53º Chefe de Engenheiros do Exército dos EUA e Comandante-Geral do Corpo de Engenheiros (USACE). Ali, orientou e supervisionou diversas obras de infraestrutura militar e civil da nação, centenas de projetos de proteção ambiental, além de gerenciar 34 mil funcionários civis e militares distribuídos por mais de 110 países.

“Quando deixei o Exército, eu estava procurando outro desafio”, conta Bostick, “Imagine alguém que comandava 34 mil pessoas com US$ 29 bilhões de orçamento anual. Agora eu comando dez pessoas, mas é um trabalho importante. O que me trouxe a essa companhia foi o trabalho que está acontecendo em Piracicaba.”